Expedição feita pelo ICMBio constata branqueamento e morte de corais na APACC

O Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) fez uma constatação preocupante: corais estão sofrendo com os efeitos danosos da elevação da temperatura da água do mar na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC). O fenômeno climático tem provocado o branqueamento de colônias inteiras e a consequente morte desses organismos.

Corais sofrem com o branqueamento provocado pela elevação da temperatura do mar (fotos divulgação/ICMBio)

O alerta foi dado através do perfil oficial do NGI/ ICMBio Costa dos Corais no Instagram. A constatação ocorreu durante expedição de campo para avaliar os efeitos da suspensão das atividades de visitação turística na APA Costa dos Corais, que vigorou de 22 de março a 17 de julho, em razão da pandemia da Covid-19.

Apesar da ausência de atividades antrópicas (interferência humana) nos quase quatro meses de interrupção dos passeios turísticos, da pesca artesanal e de outras atividades, a equipe de pesquisadores constatou um alto índice de mortalidade desses organismos, que afeta, sobretudo, espécies como o o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) e o coral-cérebro (Mussismilia harttii)

Os pesquisadores atribuem o fenômeno à elevação da temperatura das águas da APA Costa dos Corais, que estaria provocando o branqueamento desses organismos e a consequente morte deles. Dados da pesquisa mostram que 2020 foi o ano com maior aquecimento das águas da Unidade de Conservação Federal desde 1985.

“Como é um fenômeno climático – foi mudança na temperatura da APA – a Unidade de Conservação toda sofreu esse impacto do aquecimento global, do branqueamento dos corais, desde Tamandaré (PE) até Maceió (AL). A gente documentou isso de maneira mais detalhada em Maragogi, que foi o local que conseguimos a melhor visibilidade da água para monitorar”, revelou, ao Blog da Costa dos Corais, o pesquisador da APACC/ICMBio e coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR), Pedro Pereira.

Braqueamento

Quando sujeitos a temperaturas anômalas, acima da média histórica por um tempo maior, ou acima do que podem suportar, os corais sofrem o fenômeno do branqueamento e morrem por causa da expulsão de algas simbióticas ou zooxantelas, que vivem no tecido desses organismos e que os ajudam na alimentação.

“Apesar da falta de dados entre os meses de isolamento social, o monitoramento continuado dos recifes da APACC mostra que este é, provavelmente, o maior evento de mortalidade de corais das últimas décadas”, apontou a publicação feita no Instagram.

A equipe, que contou com o apoio do Projeto Conservação Recifal, realizou mergulhos e registros entre os dias 20 e 24 deste mês nas áreas conhecidas como Galés, Aquário e Zona de Preservação da Vida Marinha (fechada).

Reportagem especial

Este jornalista já chamava a atenção para o branqueamento dos corais dentro da APACC em reportagem publicada nas páginas da Gazeta de Alagoas, edição de 1º de maio de 2016, quando atuava como repórter da Sucursal Maragogi.

Intitulada “Aquecimento provoca a morte de corais no litoral de alagoas”, a reportagem especial, que fora premiada posteriormente, mostrava que o aquecimento anômalo e acima da média histórica estava matando parte das colônias de espécies já ameaçadas de extinção e endêmicas do Brasil, a exemplo do Mussismilia harttii.

À época, o trabalho científico seguiu o protocolo da rede global (Reef Check) de monitoramento de recifes de coral. E foi executado por pesquisadores e alunos do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Ceará (UFC), através do ICMBio e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), com apoio da Fundação Toyota do Brasil.

A APACC é a maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil e se estende do litoral Sul de Pernambuco ao Norte de Alagoas.

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