Catamarãs de São José da Coroa Grande vão seguir protocolo sanitário específico

Por Plínio Guimarães

Nossa geração vem passando por inúmeros desafios. Viver uma pandemia tem provocado grandes transformações em nossas relações sociais, já que todas as atividades humanas estão sendo impactadas pelos efeitos da Covid-19. Para o turismo, uma atividade essencialmente de inter-relações complexas, esses impactos têm sido ainda maiores.

Diante deste cenário, surge um questionamento: como garantir a sobrevivência do negócio turístico em meio a tantas incertezas? A resposta vem de uma das poucas certezas que temos até agora: os protocolos sanitários serão indispensáveis para dar segurança a todas as pessoas envolvidas na intrínseca cadeia de relacionamentos do turismo.

Recentemente, o Blog da Costa dos Corais tratou desse assunto através de uma série de postagens sobre o “novo normal” para as grandes redes hoteleiras do Brasil. Para os CEOs das maiores redes de hotéis em atuação no Brasil, o protocolo sanitário passou a ser um item de sobrevivência em tempos de pandemia.

Em São José da Coroa Grande, após a autorização do ICMBio para reabertura de visitação pública na APA Costa dos Corais, os empreendimentos que ofertam passeios turísticos às piscinas naturais estão dispostos a seguir rigorosamente essa orientação.

Nas últimas semanas, foram lançados dois protocolos sanitários que impactam a atividade turística no litoral sul de Pernambuco. O primeiro foi o do Ministério do Turismo, o selo Turismo Responsável – Limpo e Seguro, e o segundo o da Instância de Governança Turística Histórica, Arrecifes e Manguezais (IGRAM), o selo Turismo Ambiente Seguro.

Um terceiro selo deverá ser lançado em breve pela Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco, o selo Turismo Seguro. Entretanto, alguns empresários do turismo de São José da Coroa Grande decidiram buscar mais segurança para os seus clientes e colaboradores.

É o caso da empresária e presidente da Associação do Trade Turístico Coroense (ATTCOR), Michele Belo, proprietária do catamarã Amazônia Azul.

Michele Belo, empresária (foto: divulgação)

O Amazônia Azul está sendo pioneiro na implementação de um protocolo específico para os catamarãs que realizam o passeio na Terra das Piscinas Naturais. Michele Belo identificou que os protocolos existentes, voltados para essas embarcações, não estavam atendendo a situações específicas que poderão surgir durante a prestação de serviços náuticos.

“Na verdade, na região não está tendo um protocolo para catamarã, específico, temos protocolos para ambientes ao ar livre. Para garantir a segurança dos meus clientes e dos meus colaboradores, eu preciso atender a algumas situações que não estão previstas nos outros protocolos, como por exemplo: se acontecer de um cliente começar a tossir durante o passeio, como devo agir? Se o cliente for tomar banho, como faremos em relação ao uso da máscara? Então, por conta disto, nós precisávamos de um protocolo bem específico para catamarãs”, ponderou Michele Belo.

Equipamentos de Proteção da tripulação do Amazônia Azul (foto: divulgação)

Michele Belo procurou o Sebrae/PE e apresentou a sua demanda. “Foi tudo muito rápido, depois que eu falei com o Sebrae, já me enviaram o contrato, eu assinei, em seguida o consultor entrou em contato comigo e começamos o trabalho”, disse Michele, que foi atendida pelo consultor Francisco Castro, através do programa SEBRAE EXPRESS, 100% subsidiado, e que visa ajudar os empresários a retomar a economia com prevenção e saúde.

“A Michele contribuiu da mesma forma que eu. Quem me passou todas as informações específicas de atendimento de clientes em catamarãs foi ela. Sem esse detalhamento não teria construído nada. Peguei as informações dela, coloquei dentro de um padrão, atendendo normas e a legislação pertinente à proteção da Covid-19, e fomos construindo o protocolo. Eu entrei com a parte de gestão e técnica e ela entrou com todo conhecimento operacional do funcionamento dos passeios de catamarã”, explicou Francisco Castro, consultor do Sebrae/PE.

A qualidade do protocolo construído por meio da consultoria do Sebrae/PE está motivando outros empresários a o aderirem, mas mantendo os selos já existentes. O objetivo é dar mais segurança para todos.

“Fico muito feliz em ver que o protocolo criado para o Amazônia Azul poderá ser absorvido por outros empresários”, afirmou Castro. Os dois principais receptivos de São José da Coroa Grande, o Pé na Areia Beach Club e o Miraculo Beach Club, que também oferecem passeios às piscinas naturais, já confirmaram a adesão ao protocolo.

Para André Cardoso, sócio do Pé na Areia Beach Club, a adesão ao protocolo e ao selo deve-se por conta da preocupação com a segurança sanitária dos turistas e dos colaboradores.

“Acreditamos na importância da certificação nos processos e a colaboração de todos os parceiros neste novo cenário, garantindo assim o breve retorno do nosso turismo”, disse André.

Para o empresário Tarso Vasconcelos, sócio do Miraculo Beach Club, a “adesão a todos os protocolos é fundamental, pois dá mais segurança ao turista e a todos os envolvidos na prestação do serviço”.

No momento, já são cinco catamarãs que aderiram ao protocolo. A expectativa é de que os outros cinco, que fazem parte da Associação dos Catamarãs de São José da Coroa Grande, também façam a adesão e sejam certificados, já que o selo terá um diferencial em relação aos demais: a auditoria por um órgão certificador.

Ao finalizar a consultoria para a elaboração do protocolo, Michele Belo negociou com o consultor Francisco Castro um selo de certificação, que deverá ser feito pela FCconsult.

Essa certificação vai garantir que todos os itens apontados no protocolo, inclusive um Plano de Contingências, estejam sendo cumpridos. O selo de proteção Covid-19 será disponibilizado após a inspeção in loco nos catamarãs, que será feita por um auditor membro do International Register of Certificated Auditors (IRCA), com sede em Londres.

“Pelo que sabemos, o protocolo que desenvolvemos é o mais completo, seguindo toda a rotina e possibilidades de atividades e estrutura de catamarãs para que tudo esteja dentro de um padrão preventivo e contingencial em relação à contaminação COVID-19”, afirmou Castro.

Francisco Castro, consultor do Sebrae/PE  (foto: arquivo pessoal)

O consultor Francisco Castro, além de prestar serviço ao SEBRAE/PE, possui uma larga experiência em serviços de Acreditação. É sócio de uma empresa de consultoria em Portugal, membro do IRCA e da Certificadora Brasileira de Gestão (CBG), além da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Para ele, a construção desse protocolo foi muito importante e envolveu muito da experiência dele com outros trabalhos de Acreditação.

“A gente acabou se utilizando de protocolos e normas já criados, de forma que a gente pudesse espelhar a atividade dos catamarãs neles, e então criarmos algo que não existia, mas sempre baseado nas boas práticas e nas orientações pré-determinadas”, finalizou Castro.

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