São José quer ser a ‘joia da coroa’ do turismo na Costa dos Corais

Praias, piscinas naturais, manguezais, rios, gastronomia, história… O potencial turístico de São José da Coroa Grande, no Litoral Sul de Pernambuco, extrapola os sete quilômetros de costa. O vigor vai além e se espraia pela vasta zona rural do município com as sedes dos antigos engenhos de cana-de-açúcar e paisagens campestres.

São José da Coroa Grande fica no Litoral Sul de Pernambuco, a 17 km do Centro de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Toda essa riqueza que andava um pouco esquecida, empoeirada, começa a reluzir ao soprar dos bons ventos que arejam todo o corredor turístico interestadual formado pelo Sul de Pernambuco e o Norte de Alagoas. Antes relegado a coadjuvante, espremido entre os destinos consolidados de Tamandaré (PE) e Maragogi (AL), o município de São José quer exercer seu protagonismo no turismo e se tornar a joia da coroa da região da Costa dos Corais.

A tranquilidade da piscina natural da Prainha (Foto: Severino Carvalho)

O blog mergulhou nas piscinas naturais, meteu o pé na areia, andou de Buggy e singrou a Várzea do Una; entrevistou empresários, turismólogos, representantes do poder público, turistas e guias para mostrar, numa série especial, um pouco de São José da Coroa Grande, município pernambucano que faz limite com Maragogi, bem na divisa com os dois Estados.

Acesso

A distância entre São José da Coroa Grande e Recife é de 118 km e o acesso se dá pela rodovia PE-060. Para quem já está em Maragogi, por exemplo, o percurso é bem menor. Pela AL-101 Norte, curtos 17 km separam as sedes dos dois municípios turísticos, ambos inseridos na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do país.

Vista parcial da praia urbana de São José da Coroa Grande (Foto: Severino Carvalho)

São José era um povoado pertencente ao município de Barreiros (PE) e assim era denominado em homenagem ao santo padroeiro do lugar. Anteriormente, chamava-se Puirassu, que em tupi significa “coroa grande”, em alusão aos enormes bancos de areia ou croas que se formavam com as marés baixas. Tupi era a língua falada pelos primeiros habitantes do lugar, os índios Caetés.

Em 11 de abril de 1962, o município se emancipa de Barreiros e passa a se chamar São José da Coroa Grande. No vídeo abaixo, o guia de turismo Saulo Roberto Gomes, 37 anos, explica um pouco mais sobre a origem da denominação, a bordo do Catamarã Amazônia Azul, que faz passeios às piscinas naturais.

O município tem população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 21.298  habitantes. Apesar da proximidade com destinos turísticos consolidados nacionalmente, São José ainda não foi impactado pelo turismo de massa. O lugar preserva os ares de cidade interiorana.

Rede hoteleira

A rede hoteleira de São José possui quinze pousadas e dois hostels, que juntos totalizam 400 leitos. Três receptivos – chamados de beach clubs – foram inaugurados recentemente e um quarto está em construção. Esses estabelecimentos trabalham ofertando passeios, o mais procurado deles são as piscinas naturais.

Catamarã Amazônia Azul (Foto: Severino Carvalho)

Saindo do ponto de embarque Zonbar, orla de São José da Coroa Grande, o Blog da Costa dos Corais embarcou no catamarã Amazônia Azul para conhecer as piscinas naturais de Prainha e Lagoa Azul.

Diferentemente de Maragogi, onde as Galés (principal atrativo) estão a cerca de 5 km da costa, as piscinas naturais de São José da Coroa Grande ficam bem mais próximas: a 800 metros do ponto de embarque.

A movimentação de embarcações também é menor. Apenas dois catamarãs faziam o passeio no dia da vista. Ao todo, sete dessas embarcações atuam no município. O passeio por pessoa varia de R$ 35 a R$ 70.

Piscina natural de São José da Coroa Grande (Foto: divulgação)

E foi justamente a tranquilidade que agradou o turista português Luiz Miguel Teixeira.

“Eu estive em João Pessoa, onde fiz um passeio. No início, era muito agradável porque não tinha muita gente. Só que, passado 30 minutos, vieram três catamarãs cheios, mas aqui é maravilhoso, muito agradável e bonito”, relatou Luiz, que estava hospedado em Barra Grande, distrito de Maragogi.

O guia Saulo Roberto, entretanto, esclarece que a Prainha costuma ficar mais movimentada nos finais de semana, por conta de sua proximidade com a área urbana da cidade. Então, se preferir menos aglomeração de pessoas e de embarcações, o ideal é fazer o passeio em outros dias da semana.

“Somos favorecidos pela barreira de corais formada por falhas geológicas, que têm como base o arenito, onde os corais se formaram há milhares de anos. Você vai ter piscinas naturais com profundidades baixas e bancos de areia. Aqui nós encontramos algumas espécies endêmicas, peixes como bodiões, mariquitas e saberés”, relatou Saulo.

Piscina natural Lagoa Azul (Foto: Severino Carvalho)

Após o mergulho na Prainha, o catamarã seguiu para a piscina natural conhecida como Lagoa Azul, onde a cor da água já diz tudo. Aposto que pensou no drama romântico norte-americano de 1980, repetido exaustivamente na Sessão da Tarde. Pois se enganou. É o que garante Saulo.

“Esses nomes das piscinas naturais foram dados pelos maiores frequentadores, que são os pescadores. O turismo já veio como consequência. Alguém fez uma alusão ao filme, mas não tem nada a ver. Ao longe, a gente ver essa piscina com a cor azulada e, ao se aproximar, a água é cristalina. Trata-se de uma piscina mais seleta. Quando a Prainha tá mais cheia, as pessoas se dirigem à Lagoa Azul”.

Gravatá

O passeio marítimo foi finalizado na Praia de Gravatá, onde o Amazônia Azul ancorou. Adornada pelo coqueiral, Gravatá encanta pelo mar de águas calmas e pela tranquilidade que vaga pelas areias brancas e fartas do lugar.

Praia de Gravatá (Foto: Severino Carvalho)

O sossego dos dias de hoje, porém, contrasta com a o vaivém de outrora. Era justamente pelo Porto da Vila Gravatá, ali instalado, que escorria o grosso da produção açucareira, que chegava da Central Açucareira Barreiros por meio de vagões puxados por locomotiva. Dali, era escoado em barcaças até o Recife e, posteriormente, ao Rio de Janeiro.

Do doce da cana para os mais variados sabores do Beach Club Pé na Areia, receptivo inaugurado recentemente na região. Foi lá que o Blog parou para repor as energias, saboreando o Peixe à Praia de Gravatá. O prato exclusivo da casa tem filé de dourado, camarões salteados, creme de abóbora e tomate. Acompanham batatas ao murro.

O Peixe à Praia de Gravatá (Foto: Severino Carvalho)

“A proposta do Pé na Areia é de ser esse lugar rústico, que as pessoas buscam. Moro em São Paulo há muito tempo e quando a gente imagina vir para o Nordeste, fecha os olhos e pensa nisso aqui”, descreveu Tedd Albuquerque, sócio do receptivo.

“Quando a gente imagina vir para o Nordeste, fecha os olhos e pensa nisso aqui”, diz Tedd

Além do restaurante day use e do espaço de lazer à beira-mar, o Pé na Areia oferece passeios de catamarã, jangada e lancha às piscinas naturais e ao estuário do Rio Una.

Garça sobre o manguezal na Várzea do Una (Foto: Severino Carvalho)

Subimos o rio de jangada, passando pela Várzea do Una, até chegar à Pedra Grande, que atrai praticantes do rapel e de onde se tem uma visão panorâmica do vale.

Pedra Grande (Foto: Severino Carvalho)

No trajeto, surgem pequenas ilhas fluviais, istmo e bancos de areia; veem-se pescadores, o bailado das garças, crianças a brincar nas águas salobras do Una. Tudo isso sob a onipresença do copioso manguezal.

Crianças mergulham no Rio Una (Foto: Severino Carvalho)

Também se pode chegar à Várzea do Una por transporte terrestre com veículo próprio ou alugando um Buggy no Centro de São José. O distrito fica a cerca de 9 km da sede do município, onde também é possível contratar o passeio fluvial, à margem do rio.

O voo da garça (Foto: Severino Carvalho)

Na Várzea, está localizado o Museu do Una, cujo acervo está relacionado à história, à cultura popular e ao meio ambiente de São José da Coroa Grande. Fica aberto à visitação pública de sexta a domingo, das 11 h às 17 horas. Também atende a grupos por meio de agendamento.

Museu do Una (Foto: Severino Carvalho)

Potencialidades

A turismóloga Lizete Maioli, da Instância de Governança Turística Histórica Arrecifes e Manguezais (Igram), acompanhou os passeios em visita técnica para mapear os atrativos de São José da Coroa Grande. O objetivo é trabalhar esses roteiros integrados para fazer com que o turista permaneça mais tempo hospedado na região.

Ela destacou as potencialidades de São José da Coroa Grande, que no Mapa do Turismo Brasileiro está inserido na Região Turística Histórica Recifes e Manguezais. Esta agrega outros quatro municípios: Barreiros, Rio Formoso, Tamandaré e Sirinhaém.

Casarão do Engenho Morim (Foto: divulgação)

“São José da Coroa Grande tem uma beleza natural esplêndida, como os outros quatro municípios, cada um com suas peculiaridades. Aqui, por exemplo, temos mais piscinas naturais e a Várzea do Una com os manguezais, que são fantásticos, a exemplo do estuário do Rio Formoso. Sabemos que existe, ainda, o Engenho Morim, uma propriedade rural que pode ser incluída no roteiro da Civilização do Açúcar. Então, trata-se de um potencial imenso que precisa ser levantado e trabalhado”, analisou a turismóloga.

“São José tem uma beleza natural esplêndida”, diz Lizete.

   

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s