Cacá Diegues: “Não há nada mais fotogênico do que o Nordeste brasileiro”

O cineasta alagoano Cacá Diegues afirmou que o cinema nordestino passa por um processo de renascimento. Ele conversou com o Blog da Costa dos Corais quando esteve em Maceió, na semana passada, onde foi homenageado pela Academia Alagoana de Letras com o título de sócio benemérito e indicado pelo Governo do Estado para o recebimento da Medalha Jorge de Lima.

(Foto: Márcio Ferreira / Agência Alagoas)

“Acho que o cinema no Brasil como um todo está vivendo uma fase muito importante, sobretudo porque há uma enorme diversidade: diversidade de gênero, de geração e de região. Isso tá provocando um renascimento no Nordeste, tanto em Pernambuco como aqui em Alagoas; na Bahia, no Ceará, em uma porção de lugares, porque, realmente, não há nada mais fotogênico do que o Nordeste brasileiro”, assegura o imortal da Academia Brasileira de Letras.

Em maio deste ano, a produção nordestina Bacurau venceu o Prêmio do Júri do aclamado Festival de Cannes, junto com a produção francesa Les Misérables. A atriz alagoana Eduarda Samara, 19 anos, natural de São Luís do Quitunde, fez parte do elenco.

A premiação foi inédita para o Brasil e veio em dose dupla, com dois filmes nordestinos aclamados. A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, do cearense Karim Ainouz, venceu o maior prêmio da mostra paralela do festival “Um Certo Olhar”.

A última vez que o Brasil brilhara em Cannes foi em 1962 com O Pagador de Promessas, que ganhou a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival.

Jorge de Lima

Cacá Diegues afirmou que Jorge de Lima está na vida dele de maneira intrínseca e que suas produções audiovisuais foram influenciadas pelas obras do poeta alagoano, natural de União dos Palmares, a exemplo dos filmes Ganga Zumba (1964), Quilombo (1984) e, mais recentemente, O Grande Circo Místico (2018).

O cineasta exaltou as belezas de Alagoas e brincou ao revelar que para filmar no Estado onde nasceu é necessário um “equipamento especial”, tamanha a quantidade de cenários naturais exuberantes.

“A gente brinca com isso lá no Rio: se você for filmar em Alagoas, tem que ir com uma câmera-roleta, onde ela parar pode filmar que tá bom! Não precisa ficar procurando muito o enquadramento, não”, disse Cacá Diegues, que, dentre outras produções, filmou em Alagoas Joana Francesa (1973), nos municípios de União dos Palmares e Maragogi.

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