Lixo eletrônico vira matéria-prima para projeto de robótica em Viçosa

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Estudantes do 9° Ano da Escola Municipal Pedro Carnaúba apresentam projeto (Fotos: divulgação)

Sob a coordenação do professor de Matemática João Paulo Lessa Falcão, estudantes da Escola Municipal Pedro Carnaúba, em Viçosa, no Vale do Paraíba alagoano, criaram a campanha “Recicle: todo lixo eletrônico é bem-vindo”.

O objetivo do projeto é retirar resíduos de circulação e dar-lhes destinação adequada. Paralelamente, os alunos do 9º ano aprimoram os conteúdos de matemática e imergem em áreas como a eletricidade e a robótica.

Em 2012, a produção de lixo eletrônico no mundo chegou a quase 49 milhões de toneladas métricas, segundo estudo publicado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).

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Material recolhido em ponto de coleta

Na América Latina, Brasil e México foram os países que geraram mais lixo eletrônico. Por aqui, em 2012, produzimos dois milhões de toneladas de equipamentos eletrônicos e elétricos (EEE) e geramos 1,4 milhão de toneladas deste tipo de lixo, o equivalente a 7 quilos por habitante.

O estudo prevê que, em 2021, o volume de lixo eletrônico gerado alcançará 52,2 milhões de toneladas em todo o mundo. É muita tralha! Mas parte dessa parafernália, aparentemente sem uso e que poderia impactar o meio ambiente, ganhou utilidade “na Viçosa das Alagoas”, a 86 km de Maceió.

O professor João Paulo reuniu a garotada e botou a campanha na rua com o objetivo de retirar os resíduos de circulação, fazer o descarte correto e selecionar parte do material para as atividades de robótica. A mobilização foi feita nos moldes tradicional – o famoso “boca a boca” – e contemporâneo, através das redes sociais.

Assim, a campanha superou as expectativas e arrecadou quase 900 kg de lixo eletrônico, conforme atestou a empresa Bio Digital, que emitiu certificado de descarte correto ao projeto desenvolvido por João Paulo e seus alunos.

Com a matéria-prima em mãos – componentes eletrônicos recicláveis – os estudantes criaram a maquete de uma casa sustentável, em que o acendimento de lâmpadas, ventiladores e do alarme é feito por sensores de movimento do mouse. Eles construíram, ainda, um carro em miniatura acionado por controle remoto de TV e um minirrobô denominado de “barata elétrica”.

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Maquete da casa sustentável

Além do trabalho manual desenvolvido em casa, os alunos contextualizaram conteúdos curriculares a temas como consumo sustentável de energia elétrica e a utilização de sensores para redução dos valores das contas de energia. Também foram disponibilizadas palestras por meio de profissionais residentes na cidade.

“Do ponto de vista pedagógico, o nosso projeto busca conscientizar os alunos e a comunidade em geral para que tenham uma maior consciência ambiental. Em tudo que estamos dando a oportunidade para a comunidade descartar esse material corretamente, então não há porque jogá-lo nas ruas. Esse é o princípio pedagógico e social. O segundo é a questão do conteúdo em si. Para que eles fizessem as maquetes, tiveram de ter noção de probabilidade, de proporcionalidade e de trabalhar as escalas, através do Sistema Internacional de Medidas. Trabalhamos, ainda, outros conteúdos como razão, fração e porcentagem”, explicou o professor.

O projeto contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e os pontos de coleta estão instalados na Padaria do Creso, Zueira Som e Choperia e na própria escola Pedro Carnaúba.

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Um dos pontos de coleta fica na Padaria do Creso, na Praça Apolinário Rebelo (Praça do Cinema)

“A campanha de arrecadação é permanente. A gente trabalhou efetivamente fazendo os projetos de robótica no segundo bimestre. Agora estamos recolhendo material para as próximas turmas em 2019”, explicou o professor.

“Os materiais que podem ser descartados em nossos pontos de arrecadação são muitos, desde mouses velhos a pedaços de fio, passando por baterias, enfim, todo tipo de material eletrônico que seria jogado fora”, acrescentou.

O filósofo grego Aristóteles, que abordou e refletiu sobre diversas áreas do conhecimento, dentre as quais a matemática, já dizia que “a natureza não faz nada em vão”. Então, que frutifique o projeto desenvolvido pelos estudantes viçosenses! O meio ambiente agradece.

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