Projeto devolve à natureza o 46° peixe-boi

Ivi Peixe-boi 2
Programa de conservação do peixe-boi no Brasil teve início em 1994

Ivi – a fêmea de peixe-boi reintroduzida na quinta-feira (5) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Porto de Pedras – foi o 46º mamífero devolvido à natureza pelo programa executado pela APA Costa dos Corais e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene).

Após dois anos em tratamento na APA Costa dos Corais, unidade de conservação gerida pelo ICMBio, Ivi foi finamente devolvida ao mar. Com seis anos de idade e cerca de 436 quilos, ela já estava preparada para nadar sozinha.

A história do animal começou no litoral de Areia Branca, no Rio Grande do Norte, onde encalhou em 2012. Os primeiros cuidados começaram nas piscinas naturais de Itamaracá, em Pernambuco. Ivi foi então levada a Alagoas, onde passou para a segunda fase do tratamento.

Antes de finalmente voltar para casa, uma cinta foi colocada no animal. É nela que vão ficar os sensores de monitoramento após a soltura.

“Esse momento é de muita alegria, de euforia pra gente. Se ela der certo e for pra natureza se reproduzir como tantas outras que foram soltas, será é o maior ganho que temos como profissionais”, disse a bióloga do ICMBio, Alexandra Costa.

Ivi faz parte do programa de reintrodução executado pela APA Costa dos Corais e Cepene.

A reintrodução de Ivi, assim como os oito filhotes nascidos de fêmeas devolvidas à natureza nos últimos anos, são indicativos de sucesso e motivo de alegria para os especialistas do Programa Peixe-boi.

“A primeira soltura no Rio Tatuamunha aconteceu em 2008. Os resultados que estamos colhendo a cada ano desde então são fruto de um árduo trabalho da equipe de especialistas e um sinal de que estamos no caminho certo para o repovoamento da espécie nessa região. Ficamos extremamente felizes com cada soltura e também com os nascimentos, pois nos provam que os animais estão totalmente adaptados às condições de seu ambiente natural”, explica o chefe do ICMBio Costa dos Corais, Iran Normande.

O peixe-boi (Trichechus manatus manatus) é o mamífero marinho mais ameaçado de extinção do país. A estimativa populacional para a espécie é de cerca de apenas 500 indivíduos distribuídos ao longo da costa brasileira.

Programa

O programa de conservação de peixe-boi no Brasil, realizado pelo ICMBio com a ajuda de parceiros, teve início em 1994 com a reintrodução de dois animais em Paripueira (AL).

De lá para cá, 46 peixes-bois resgatados pelas instituições da Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Nordestes (Remane) e reabilitados pelo Instituto foram devolvidos à natureza.

O primeiro sítio de soltura, e o único atualmente em atividade no Brasil, está localizado dentro da APA Costa dos Corais, no rio Tatuamunha, em Porto de Pedras (AL). Dentre os animais soltos, 19 (43%) são fêmeas e 25 (57%) machos.

Dentre as fêmeas reintroduzidas, 15 (79%) foram soltas na APA Costa dos Corais e 4 (21%) na APA da Barra de Mamanguape, na Paraíba. Nesse período, foram registrados o nascimento de oito filhotes. No entanto, somente quatro fêmeas foram responsáveis por estes nascimentos. Lua teve quatro parições; Tuca, duas; e Áira e Luna, uma.

Dentre os filhotes registrados, todos nasceram com vida, mas dois morreram poucos dias depois do nascimento. Após os dois primeiros registros de óbito, as atividades de conservação foram a cada ano mais aprimoradas e todos os demais nascimentos vêm sendo realizados com sucesso.

Nesses casos, o atendimento imediato da equipe, somado ao trabalho socioeducativo promovido nas comunidades, é o grande diferencial, apontam os especialistas.

Apoio

Com apoio da Fundação Toyota do Brasil e da Fundação SOS Mata Atlântica, a ação faz parte da estratégia de reintroduzir peixes-boi marinhos como forma de reconectar duas populações isoladas (entre Alagoas e Pernambuco) e proporcionar o fluxo gênico, reduzindo as chances de extinção da espécie.

Historicamente, distribuídos ao longo do litoral do Espírito Santo até o Amapá, a população do peixe-boi foi diminuindo principalmente devido à caça. Sua baixa taxa reprodutiva também dificulta o repovoamento.

Em 2014, a espécie deixou de constar na categoria “Criticamente em Perigo”, sendo listada na categoria “Em Perigo” da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente.

Atualmente, especialistas contabilizam até 1000 peixes-boi entre Alagoas e o Piauí. Antes eram apenas 500 estimados.


Com Assessoria

 

 

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