O Reisado alagoano sem rei

O blog pede licença aos leitores para se afastar um pouco do litoral e avançar em direção à zona da mata alagoana. O motivo: uma singela homenagem ao mestre Osório, que nos deixou na tarde de sexta-feira (11), aos 90 anos de idade, um dos últimos mestres do reisado alagoano.

Este blogueiro e o repórter fotográfico da Gazeta de Alagoas, Marcelo Albuquerque, entrevistaram Osório no início de 2001, quando da elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), intitulado: Cidade Viçosa.

Abaixo, reproduzo o texto assinado pelo jornalista, repórter fotográfico e amigo Marcelo Albuquerque:

Mestre Osório morreu aos 90 anos de idade, em Viçosa, zona da mata alagoana (Foto: arquivo de Manoel dos Passos)

Ele é uma das principais figuras do folclore de Viçosa, a 86 km de Maceió, na zona da mata de Alagoas. Seu folguedo? O Reisado, uma representação natalina semelhante ao Guerreiro, que difere dela pelo menor número de componentes, cerca de quinze pessoas.

Na década de 1940, Osório Tavares dos Santos chegou a viajar para várias cidades, como Brasília (DF) e Salvador (BA), mostrando a cultura popular de Alagoas.

Interpretou uma apresentação na rádio Difusora de São Paulo para ser publicada a notícia da morte do presidente Getúlio Vargas (1954). Ele conta isso com certo orgulho, como se o fato servisse de prova para o passado que viveu.

Há cinco anos, o mestre não puxa mais o Reisado. A pouca saúde somada à falta de incentivo dificultou o trabalho. “Nada arrumei com a cantoria”, diz ele, que foi um dos cantadores mais famosos do Estado.

No Reisado, quem puxa as músicas pode usar versos decorados ou fazê-los na hora. Osório tecia as palavras no momento da apresentação, de improviso. Com 78 anos (em 2001), o mestre tem aposentadoria por idade e mora em casa de aluguel.

Para o presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Aspofal), Ranilson França (falecido em 2006), “mestre Osório é um dos últimos mestres de Reisado da zona da mata alagoana”.

Apesar das dificuldades, Osório ainda tem vontade de preparar um grupo de Reisado. “Se me derem um lugar para ensaiar, gente pra dançar é o que não falta”. E reafirma a sua fé cantando os seguintes versos:

Eu nasci no dia cinco de São João / A Virgem da Conceição me protege aonde eu moro / Minha gente eu adoro meu padrinho Cícero Romão / O meu nome é João e o apelido é Osório”.

Leia notícia sobre a morte de mestre Osório na Gazeta de Alagoas:

http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/acervo.php?c=216039

 

Um comentário sobre “O Reisado alagoano sem rei

  1. Valquíria da Paz

    Caros amigos,

    o que posso dizer? Eu tinha que passar os oito primeiros anos, dos anos de 2000 em Alagoas, meu berço, para conhecer e conviver com Severino Carvalho e Marcelo Albuquerque que acabam de me apresentar ao Mestre Osório, Rei do Reisado Alagoano, que na sexta-feira, 11 de Janeiro,retornou à casa do nosso Pai.

    É muito bom fazer parte e partilhar o ciclo da vida, feito de vida, de morte e de ressureições!

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